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Mostrando postagens de dezembro, 2017

"Penso, logo, existo"

Descartes foi um dos mais brilhantes filósofos de todos os textos e tempos. De linha racionalista, talvez tenha alcançado uma das reflexões mais impressionantes que há, por o menos em minha humilde visão. Uma de suas mais célebres frases, se não a mais célebre, no entanto, é mal compreendida por aí. "Penso, logo existo" costuma ser utilizada de forma rasa, em vista do que o autor realmente propõe. Comumente, a expressão é interpretada como uma tentativa de valorizar o ato de pensar ou refletir. É certo que, sem ele, não somos seres significativos e podemos passar a vida de forma superficial e automática; mas não é disso que se trata. A profundidade do raciocínio é tão absoluta, que assusta, e ao mesmo tempo tão simples, que pode provocar o riso. Então, mais profundamente, eu te pergunto: você existe? E você me dirá: "Ora, que pergunta estranha, é claro o que eu existo". Da mesma forma, posso perguntar se tudo o que você vê, e sente, realmente existe, do jeito e da f...

O exemplo japonês

É de sapiência nacional que a colônia japonesa é uma das mais organizadas fora de seu país, e que por aqui assumiu um papel importante no desenvolvimento de várias cidades. Por consequência, é significativa sua participação na própria nação, através de um comportamento um tanto quanto diferenciado: valorizam os estudos ao extremo, destacando-se nas escolas públicas, privadas e nas faculdades. No comércio, sua marca registrada são os negócios familiares e, em todas as atividades, percebe-se que o esforço pessoal é incentivado. Corroborando com as informações captadas, foi publicada hoje esta matéria pelo Uol, revelando que estudantes de pai e mãe descendentes de japoneses, chegam a estar um ano à frente dos demais alunos nos estudos de matemática das escolas públicas.  Por estes e outros fenômenos, a filosofia que os nipônicos adotaram, em especial inseridos em nossa cultura, merece muitos estudos de caso, mas, numa breve e rápida consideração, pode-se perceber que, para além das ...

Fábio de Melo, o filósofo

Tenho refletido muito sobre os ensinamentos desse peculiar sacerdote. Nem tão 'padre', no conceito que estamos acostumados a presenciar, nem tão cantor ou escritor conforme o imaginário comum, ou mesmo apresentador e pregador como supõe nossa vã filosofia. Fábio de Melo, o padre, é, antes e acima de tudo, um ser humano que gosta de filosofar. Pode ser que ele mesmo não se entenda dessa forma, mas é nítido o quanto é possível classificá-lo nesta categoria. É claro que, devido a sua condição de padre, atém-se a questões existenciais e cotidianas, emoções e sentimentos, como forma de expressar-se em livros como o best-seller Quem me roubou de mim , ou em canções regravadas, como "O Caderno" (Toquinho) e "Paciência" (Lenine), e principalmente nas de sua própria autoria como "Humano amor de Deus" e "Tem Calma". E além da bagagem nos estudos da filosofia e pedagogia, Melo ainda engaja-se profundamente nas questões da psique humana. Confesso q...