Fábio de Melo, o filósofo
Tenho refletido muito sobre os ensinamentos desse peculiar sacerdote. Nem tão 'padre', no conceito que estamos acostumados a presenciar, nem tão cantor ou escritor conforme o imaginário comum, ou mesmo apresentador e pregador como supõe nossa vã filosofia. Fábio de Melo, o padre, é, antes e acima de tudo, um ser humano que gosta de filosofar. Pode ser que ele mesmo não se entenda dessa forma, mas é nítido o quanto é possível classificá-lo nesta categoria. É claro que, devido a sua condição de padre, atém-se a questões existenciais e cotidianas, emoções e sentimentos, como forma de expressar-se em livros como o best-seller Quem me roubou de mim, ou em canções regravadas, como "O Caderno" (Toquinho) e "Paciência" (Lenine), e principalmente nas de sua própria autoria como "Humano amor de Deus" e "Tem Calma". E além da bagagem nos estudos da filosofia e pedagogia, Melo ainda engaja-se profundamente nas questões da psique humana. Confesso que eu mesma já fui visitada pela sua ajuda, assim como muitos que o comentam em suas redes sociais ou nos canais que expõem seus vídeos no You Tube. Dentre as frases que mais têm me iluminado está esta: "No meio da tormenta é duro navegar e uma escolha incerta pode caro custar" (de "Tem Calma"). Dizer um tanto quanto óbvio, porém - arrisco-me - o pensamento torna-se filosofia a partir do óbvio que todos finalmente constatam nele. Pelo contexto brasileiro, pode-se concluir que Fábio de Melo é, sim, um dos pensadores de nosso tempo. Para alguns, enquanto padre, apresenta erros evidentes, principalmente no que concerne à aparente preocupação em agradar aos ouvintes em detrimento dos ensinamentos mais duros da religião. Mas, para os que o acompanham e aprovam, o julgamento moral fica para o segundo plano; sua filosofia parece mais eficaz. Talvez esta questão possa ser resumida com uma frase do próprio Padre: "A gente sabe da importância da luz, no momento em que está no escuro".
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