"Penso, logo, existo"

Descartes foi um dos mais brilhantes filósofos de todos os textos e tempos. De linha racionalista, talvez tenha alcançado uma das reflexões mais impressionantes que há, por o menos em minha humilde visão. Uma de suas mais célebres frases, se não a mais célebre, no entanto, é mal compreendida por aí. "Penso, logo existo" costuma ser utilizada de forma rasa, em vista do que o autor realmente propõe. Comumente, a expressão é interpretada como uma tentativa de valorizar o ato de pensar ou refletir. É certo que, sem ele, não somos seres significativos e podemos passar a vida de forma superficial e automática; mas não é disso que se trata. A profundidade do raciocínio é tão absoluta, que assusta, e ao mesmo tempo tão simples, que pode provocar o riso. Então, mais profundamente, eu te pergunto: você existe? E você me dirá: "Ora, que pergunta estranha, é claro o que eu existo". Da mesma forma, posso perguntar se tudo o que você vê, e sente, realmente existe, do jeito e da forma que você vê. Por certo aí pode pintar uma dúvida. "Será que vejo tudo o que todos vêem da mesma forma, ou mesmo, será que todos os outros existem?". Esse pensamento seria uma viagem "muito louca", mas é a base de "Penso, logo, existo". Meu caro, você pode ser enganado sobre tudo, menos sobre sua própria existência. Então, você pode provar a si mesmo apenas a sua própria existência! Todo o resto poderia ser fruto de sua imaginação, menos o seu próprio pensamento. Ficou confuso? Ótimo. Eu também. Só tenho certeza de duas coisas: eu existo e Descartes também existiu. Antes de ler sobre isso, eu jamais havia pensado sobre. 

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