O lado bom da igreja


De origem grega, a palavra 'igreja', ao pé da letra, significa um chamado 'para fora', e simboliza as assembleias, que reúnem-se para diversos fins, ligados à ideia de culto a Deus. Está intrinsicamente unida à palavra 'religião', do latim 'religare' ("religar", o homem a Deus). Igreja, em conceitos mais amplos e populares, pode ser tanto o templo de pedra quanto o corpo humano, ou uma filosofia religiosa mais abrangente, como o cristianismo e suas vertentes. É o que acontece, por exemplo, quando falamos de igrejas católicas, evangélicas, entre outros termos. Em tempos de intolerância, tanto a palavra 'igreja' quanto 'religião' geram arrepios em muitos, em parte pelo preconceito que existe em relação ao pensamento religioso, considerado conservador. Porém a pergunta que fica é sobre a importância do que é tido como conservador para que haja as bases sólidas da sociedade. Embora questionados, os modelos que hoje temos dificilmente são de fato recusados. Isso ocorre com a instituição família, organização do Estado, dos sistemas de governo e das leis, dentre outros baluartes tradicionais. A grande questão é que, embora pareçam arcaicas as igrejas e religiões, a sociedade, desde os mais remotos tempos, tem dificuldade de organizar-se sem a presença delas. Tanto no Antigo Egito quanto no Brasil moderno, os templos têm seu papel na formação cultural e moral da sociedade, sem contar no papel assistencialista e educacional que as instituições cristãs têm exercido dentro de um contexto de pobreza, déficit educacional, violência e desesperança. É inegável que há vertentes e aspectos negativos nas igrejas: os maus caracteres utilizam todas as desculpas para o serem, e alguns as encontram nas religiões, aderindo a desrespeito, fanatismo, intolerância, dentre outros absurdos. Por outro lado, pessoas bem intencionadas falam e praticam amor, compaixão, respeito e afago. E, quando referem-se à 'danação' eterna, conseguem ser amenas. Acreditando ou não em alguma religião, devemos respeitar suas crenças, ou corremos o risco de realizar para com os religiosos injustiças semelhantes, que alguns deles cometem com quem pensa diferente. Que o lado bom da igreja seja lembrado e praticado: compreender que o outro ser sempre será digno de ser amado como a nós mesmos (quando, é claro, nos amamos de fato). 

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